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terça-feira, 24 de julho de 2012

Segundo a bíblia devemos ou não dar o dizimo? Por que as igrejas cristãs que dizem viver no tempo graça, ainda praticam obras da lei? O dizimo é um preceito da lei para Israel ou um mandamento para os cristãos?


Por Giliardi Rodrigues


Antes de tudo é importante destacar que o dizimo é bíblico e que sua aplicação tinha uma finalidade especifica nas escrituras sagradas. O dizimo foi um preceito ortogado pelo o Eterno para “A Casa de Israel”. Embora a bíblia cite dois casos falando sobre o dizimo (Abraão e Jacó), No seu contexto original o dizimo era praticado no período da festa das colheitas, também conhecida como “Shavuot” ou “Pentecostes”. O dizimo era cometido somente uma vez por ano e também estava ligado a questão dos sacrifícios de animais.

A grande questão é que muitas igrejas denominadas cristãs adeptas da “Teologia da dispensação” rejeitam este contexto bíblico para cobrar dizimo de seus fieis, Manipulam a bíblia de forma errada e tendenciosa. Interessante que no Novo Testamento temos pouquíssimas passagens falando sobre o dizimo, e mesmo assim não temos nenhum versículo de Jesus ou seus apóstolos cobrando dizimo de ninguém.

Para muitos é mais fácil acreditar no pastor, no bispo, no apóstolo, no profeta, no padre ou qualquer outro líder religioso do que na própria escritura. Nisso o povo perece por falta de entendimento e erra por não buscar o conhecimento daquilo que eles mesmos acreditam.

Ora, se o dizimo é um preceito da lei do chamado Antigo Testamento e segundo o que o cristianismo mesmo prega que esta lei foi abolida por “Jesus”, logo a pratica e a cobrança do dizimo é ilegal e contraditória, pois o texto mais usado para cobrar o dizimo está no livro de Malaquias no próprio antigo testamento.

Abaixo iremos refletir elucidando o assunto no seu contexto bíblico.

Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Senhor Altíssimo; Hb 7:1-3; 19 e abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Senhor Altíssimo, o Criador dos céus e da terra! E bendito seja o Senhor Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo. (Gn 14:18-20).

A primeira vez que o dízimo aparece na bíblia é quando Abraão fica sabendo que seu irmão estava preso, ele então junta 318 homens para libertá-lo. Abraão sai para guerra contra quatro reis do oriente e após libertar seu irmão juntamente com seu sobrinho Ló, ele traz os seus despojos da guerra e entrega a décima parte a Melquisedeque que era um sacerdote do Senhor Altíssimo Criador dos céus e da terra. Abraão dá o dizimo apenas uma única vez na sua vida não através dos seus bens, mas com os despojos de guerra que havia saqueado de seus inimigos.

Fez também Jaco um voto, dizendo: Se Eterno for comigo e me guardar neste caminho que vou seguindo, e me der pão para comer e vestes para vestir, de modo que eu volte em paz à casa de meu pai, e se o Eterno for o meu Senhor, então esta pedra que tenho posto como coluna será casa do Eterno; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo.  (Genesis 28;20-22).

Jacó após perder tudo o que tinha faz uma promessa condicional ao Senhor Eterno. Ele promete dar o dizimo se o Senhor restituísse tudo o que ele havia perdido quando saia ao encontro do seu irmão Esaú. O mais intrigante é que não temos nenhuma passagem na bíblia falando que Jacó cumpriu esta promessa e se cumpriu fica a duvida a quem ele entregou o dizimo, pois não havia nenhum sacerdote a quem Jacó deveria entregar o dizimo. Alguns estudiosos afirmam que Jacó certamente partiu o seu dizimo entre os servos de sua casa e comeu a outra parte.

O dizimo e a lei de Moises.

E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo seu ministério que exerce, o ministério da tenda da congregação. E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado, e morram. Mas os levitas administrarão o ministério da tenda da congregação, e eles levarão sobre si a sua iniquidade: pelas vossas gerações, estatuto perpétuo será; e no meio dos filhos de Israel, nenhuma herança herdarão. Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao Senhor em oferta alçada, tenho dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel, nenhuma herança herdarão. (Números 18;21-24).

O texto elucida claramente que todos os dízimos deveriam ser entregues aos filhos de Levi, ou seja, aos sacerdotes e levitas. O dizimo é um estatuto perpetuo no meio dos filhos de Israel e o detalhe de importante destaque é que tanto os sacerdotes, quanto os levitas jamais poderiam possuir bens. Logo, fica claro que o dizimo não é uma pratica legal dentro do cristianismo, pois somente os filhos de Levi poderiam receber o dizimo e o pré-requisito é que estes mesmo não poderiam possuir bens materiais, ou seja, o que vemos hoje é exatamente o contrario.

Durante séculos a igreja católica cobrou dízimos, impostos e até indulgencias de seus fieis e mesmo após a chamada reforma liderada por Martin Lutero a igreja protestante ainda continuou com esta pratica. O que vemos hoje são megas templos e lideres religiosos explorando através de má fé e ainda esbanjando com o dinheiro do povo comprando carros importados, mansões, aviões, canais de rádio e televisão (...).

E ali trareis os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas. E ali comereis perante o Senhor, e vos alegrareis em tudo em que poreis a vossa mão, vós e as vossas casas, no que te abençoar o Senhor. (Deuteronômio 12:6-7).

Quando acabares de dizimar todos os dízimos da tua novidade, no terceiro mês, que é o mês dos dízimos, então o darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem: E dirás perante o Senhor: Tirei o que é consagrado de minha casa, e dei também ao levita, e ao estrangeiro, e ao órfão, e à viúva, conforme a todos os teus mandamentos que me tens ordenado: nada traspassei dos teus mandamentos, nem deles me esqueci. (Deuteronomio 26;12-13).

O dizimo estava estreitamente ligado à questão das festas e dos sacrifícios, Shavuot era umas das festas de peregrinações, ou seja, as tribos de Israel subiam ao lugar que o Senhor mesmo escolhera (Jerusalém) para celebrar a festa, fazer os sacrifícios e entregar os dízimos. O Senhor ordena que ao terceiro mês ou 7 semanas após a páscoas que se celebre a festa das colheitas e parta o dizimo entre os estrangeiros, os órfãos e as viúvas, e que ainda se comam parte de dizimo até que se fartem.

Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. Desde os dias dos vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes: tornai vós para mim, e eu tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?

Roubará o homem a Senhor? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubámos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas.

Com maldição sois amaldiçoados, porque me roubais a mim, vós, toda a nação.
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança. E, por causa de vós, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; e a vide no campo vos não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos. (Malaquias 3:6-11)

O dizimo é um “estatuto” da lei, foi criado para o sustento dos sacerdotes e levitas que trabalhavam exclusivamente em serviço do templo, como estes não podiam possuir bens o dizimo era um dos meios pelos quais os filhos de Levi eram sustentados. O dizimo também servia para sustentar os órfãos, viúvas e estrangeiros peregrinos na terra de Israel.

É importante destacar e lembrar que o dizimo também era dado somente uma vez por ano, ou seja, na festa de Shavuot ou também conhecida como pentecostes. O dizimo nunca foi dado em dinheiro, ouro ou prata. Pois, era a décima parte da colheita dos filhos de Israel.

Outro ponto a ser relacionado é que o dizimo é um preceito da lei e não um mandamento. Constitua que nunca foi obrigatório, pois somente quem possuía terras é que poderia contribuir com a décima parte da colheita. Os pobres, os escravos, as viúvas, os órfãos, os estrangeiros, os levitas e os sacerdotes estavam isentos de tal comprometimento.

O texto de Malaquias elucida claramente que “O Povo de Israel” estava sendo amaldiçoado por não guardar os mandamentos e se desviar dos caminhos do Senhor dos Exércitos. Ninguém era amaldiçoado simplesmente porque deixava de dar o dizimo, mas causa da iniquidade dos filhos de Levi. Quem estava roubando não era o povo, mas os sacerdotes que estavam corrompendo os direitos dos pobres, viúvas, órfãos e estrangeiros. Vide o texto de Malaquias no capitulo “1” que os sacerdotes estavam fazendo aquilo que era abominável aos olhos do Senhor.

Observem que o dizimo foi dado exclusivamente aos filhos de Jacó para que toda a nação de Israel fosse chamada de “Bem aventurada e uma terra deleitosa”. O Eterno prometeu que se toda a nação fosse fiel em obediência, ele repreenderia o gafanhoto devorador para não consumir o fruto da colheita dos filhos de Israel.

Contextualizando 




O dizimo é um preceito da lei para Israel e não um mandamento universal para todas as nações. Logo, não é uma pratica legal do cristianismo.

O dizimo jamais foi dado em dinheiro, pois era a décima parte da colheita dos filhos de Israel. Logo, cobrar a décima parte do salário das pessoas é uma usurpação.

O dizimo é praticado somente uma vez por ano na festa das colheitas, e para dar o dizimo segundo a lei de Moises era necessário fazer sacrifícios de animais. Logo, é contraditório e incoerente seguir o novo testamento e ainda cobrar dízimos sem fazer sacrifícios de animais.

Quem poderia receber o dizimo era somente os sacerdotes e levitas – e estes mesmos não poderiam possuir bens. Logo, pastores, padres, bispos ou qualquer outro líder religioso não está habilitado para receber dízimos de ninguém, pois além de não seres filhos da linhagem de Levi e ainda não podem possuir bens materiais.

Tanto Abraão, quanto Jacó dizimaram somente um vez na vida e segundo a lei de Moisés o dizimo era dado somente uma vez por ano. Logo, a pratica de cobrar dizimo não está respaldada na bíblia.

No Novo Testamento não vemos Jesus e nem seus discípulos cobrando o dizimo de ninguém. E uma das raras passagens em que um fariseu estava dando o dizimo do hortelã e do cominho, Jesus ainda o chamou de “Hipócrita” por querer cumprir um preceito e não guardar os mandamentos mais importantes.

Não existe nenhum demônio chamado “DEVORADOR” que suga os bens daqueles não dão dízimos e também ninguém foi, ou vai para o inferno porque deixou de dizimar.

O argumento de cobrar o dizimo em dinheiro por pensar que naquela época não havia moeda corrente é falso. Pois, muito antes de ser revelada a lei de Moisés, José foi vendido por seus irmãos por 30 moedas de prata. 

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