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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Somos salvos pela a fé ou pelas as boas obras?

Por Giliardi Rodrigues

Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei (Rm 3:28) - Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei. (Rm 3:31).

O apostolo Paulo é sem duvida nenhuma um personagem muito polêmico e muito mal interpretado do Novo Testamento. Uma hora ele diz que a lei é maldita e em outra hora ele diz que a lei é santa, justa e boa, ele diz que o homem é salvo pela a fé sem as obras da lei e depois diz que a lei não é anulada pela a fé. Isso abre margem para as pessoas que desprezam o contexto pela qual as cartas do apostolo foi escrita e dirigida para criar doutrinas e ensinar conceitos pelos quais não estão nas escrituras.

É muito comum no meio cristão ouvir que somos salvos pela a fé sem as obras da lei, no entanto este conceito é desfeito quando analisarmos a bíblia de forma sincera e criteriosa.

Se o homem é salvo pela a fé, qual a necessidade de praticar boas obras?

Ora, o conceito hebraico de fé (emunah) é fidelidade a D'us e obediência aos mandamentos. Segundo a bíblia fé não é pensamento positivo, mas o firme fundamento das coisas que não podemos ver e a convicção do que esperamos da parte de D'us é real e verdadeiro.

Fé é sinônimo de fidelidade, mas como podemos ser fieis a D'us? Podemos ser fieis a D'us quando obedecemos à lei e praticamos boas obras! Se apenas crermos que D'us existe não temos nenhum mérito nisso, pois o diabo também crer e até estremece diante da presença do Eterno.

Os nossos atos de amor com o próximo e nossas ações de justiça manifesta o quão é grande é a nossa fé (fidelidade) a D'us. Ninguém jamais peca obedecendo à lei e praticando boas ações. Claro, que isso deve ser feito com o coração puro e sincero (Kavanah). Que a nossa mão esquerda não saiba o que faz a nossa mão direita, que possamos ajudar a pessoas sem esperar nada em troca, que possamos sempre praticar tsedaká (atos de justiça) com humildade em sinal de gratidão por tudo o que D'us é e representa em nossas vidas.

Qualquer pessoa que faz alguma coisa esperando receber algo em troca ou na tentativa de barganhar para levar vantagem em alguma coisa, os seus atos são de hipocrisia e não tem nenhum valor para D'us.

Lutero também teve muita dificuldade em compreender isso, pois ele acreditava que a salvação não é pelas as boas obras e somente pela a fé. Ele chegou ao ponto de desejar tirar o livro de Thiago do Novo Testamento. A igreja católica cobrava indulgencias e ensinava que tudo o que fizesse para a igreja estava fazendo para D'us, Lutero pregava em sentido contrario, que não precisamos fazer nada para sermos salvos, basta somente crer, pois a salvação é gratuita e dom de D'us.

Em partes Lutero tinha razão, pois de fato não precisamos fazer nada para alcançarmos a salvação, ela é uma dádiva divina. O erro de Lutero foi dizer que não precisamos praticar boas ações e nem obedecer à lei de D'us. Claro, que não é doando bens a igreja e dando dízimos que vamos entrar no Reino de D'us, pois o Reino de D'us não pode ser comprado com prata, ouro e dinheiro. No entanto tudo o que fizermos em favor do próximo é um testemunho de fidelidade a D'us.

A igreja ao longo dos séculos enriqueceu com o argumento de que quem não fizer indulgencias e não dar o dizimo vai para o inferno, não somente a Igreja Católica Apostólica Romana como hoje quase todas as correntes protestantes. As pessoas doavam seus bens à igreja não por amor a D'us e sim por medo de ir para o inferno, até hoje muitas pessoas pensam desta maneira e outras doam seus bens à igreja com a intenção de alcançar prosperidade financeira, cura de doenças e soluções para problemas particulares – uma maneira moderna de barganhar com D'us.

Por outro lado os bens do fieis em vez de ser usado para ajudar os necessitados foi empregado em construções de templos luxuosos e em beneficio próprio dos lideres religiosos. A mensagem do verdadeiro evangelho de Yeshua e os ensinamentos dos apóstolos foi perdida e trocada pela a mensagem de arrecadação de bens.

Lutero o ex-padre católico e fundador do protestantismo cristão confundiu obras do Reino de D'us com obras de arrecadamento da igreja. No entanto ele estava correto em afirma que não é praticando obras a igreja com intenção de herdar o Reino de D'us que se vai conseguir a salvação.

A mensagem central da bíblia e ensinada por Jesus (Yeshua) é o amor a D'us acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Toda a lei e os profetas se resumem nestes dois aspectos. Importante ressaltar que “ressume”, mas, não “anula”. O próprio Jesus disse que não veio para abolir a lei e sim obedecer. Jesus em todo o seu ministério foi obediente a lei de D'us (Torá) e praticou boas obras, levando o amor e justiça aos necessitados.

Assim, também, a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que há um Deus; fazes bem: também os demônios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaac? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé. (Thiago 2:17-24)

O testemunho de fé daquele que experimentou a salvação da parte de D'us são as boas obras. As boas ações têm por finalidade aproximar o homem de D'us, as boas obras são atos de amor e de justiça. Quem ama a D'us tem por satisfação amar e respeitar o próximo.

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