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domingo, 5 de julho de 2009

Uma teologia da fé reformada ou uma teologia da fé restaurada?

Por Giliardi Rodrigues


 


 

Muitos teólogos intitulam de primitiva a igreja apostólica do I século, porém esse termo não é muito adequado, a igreja que foi fundada por Jesus através dos apóstolos é a igreja modelo, isto é, ela tem os padrões de doutrinas pelo qual Jesus estabeleceu. Dentro deste aspecto não podemos denominar de igreja primitiva aquela pela qual é modelo para todas as igrejas constituídas na face da Terra.

O termo igreja (Kahal no hebraico ou Ekklêsia em grego) pode ser definido como assembléia ou reunião de pessoas, a primeira vez que a palavra igreja aparece na bíblia está no sentido de multidão de povos, ou seja, igreja não é necessariamente uma instituição com uma sede local ou um templo, a forma mais apropriada para definir igreja seria assembléia ou congregação de pessoas.

E Deus Todo-Poderoso te abençoe, e te faça frutificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos (Gênesis 28:3).

Vejam que D'us diz que da descendência de Abraão ele faria uma multidão de povos, este termo não se limita a somente a um povo. Inicialmente D'us estava separando um povo, colocando neles uma identidade para que este povo carregasse o seu nome e fossem suas testemunhas até os confins da terra.

A promessa de D'us em abençoar as nações através da semente de Abraão se consolida na pessoa de Jesus, pois ele foi eleito e ungido pelo o próprio D'us para ser luz, não somente entre os da casa de Israel como também para os gentios.

Toda a base eclesiológica se firma em Israel. Moisés é descendente de Abraão, todos os profetas são hebreus, todos os sacerdotes eram filhos de Aarão, Davi era judeu, Jesus é filho de Judá e da linhagem de Davi, todos os seus discípulos foram judeus, toda a bíblia foi escrita em Israel e a igreja foi fundada em Jerusalém.

A igreja só existe porque D'us elegeu Israel através de Abraão como seu povo escolhido. Este povo só existe porque D'us escolheu estabelecer a sua igreja através deles. Os gentios são enxertados em Israel como povo de D'us através da igreja, a existência de um depende inteiramente do outro. A igreja não é uma invenção dos gregos e nem dos romanos, a igreja foi constituída e formada através de Jesus.

Porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai, em um mesmo Espírito. Assim que, já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina. (Efésios 2:18-20)

Israel é uma nação corporativa que tem um papel sacerdotal diante todas as nações do mundo, a igreja compartilha da mesma seiva que Israel, ou seja, das mesmas bênçãos, pois a igreja é representada por Israel diante de D'us. Israel não é mais importante do que a igreja e nem a igreja substitui Israel.

Infelizmente, a igreja teve o seu cordão umbilical cortado de Israel por Roma, devido os conflitos políticos e religiosos que estavam acontecendo naquela época. Isso trouxe sérios danos a ambas as partes. Os judeus foram perseguidos ao longo destes 2000 anos e acusados de terem matado Jesus, enquanto a igreja foi sendo contaminada pela a idolatria e pelas as praticas pagãs dos gregos e dos romanos.

Essa separação resultou em muito ódio e perseguições entre ambas as partes, enquanto o anti-semitismo foi alimentado por mentiras e injustiças, o sentimento por parte de Israel foi gerando desprezo e afastamento de tudo o que estava relacionado à igreja.

A teologia cristã desenvolveu muitas doutrinas a partir da filosofia e do pensamento grego que não tem nada haver com as escrituras. Creio que uma das piores delas foi à teologia da substituição, a igreja passou acreditar que era o novo Israel, e que os judeus foram um povo desprezado por D'us, juntamente com este conceito veio à teologia dispensacionalista que pregava que a lei de D'us foi abolida e que estamos no tempo da graça, assim sendo o pacto de D'us com Abraão foi removido e no lugar foi colocada a nova aliança.

Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas, ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti. (Isaias 49:15) DIGO, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum (Romanos 11:1).

A bíblia diz que D'us não muda e que suas palavras não voltam atrás, as escrituras diz que ainda que uma mãe esqueça o seu filho, D'us jamais se esquecerá de Israel! O povo de Israel é uma jóia muito preciosa guardada por D'us, o pacto de D'us com os filhos de Abraão é eterno e irrevogável, nada e nem ninguém pode tomar o lugar de Israel no coração de D'us.

E dirás no teu coração: Quem me gerou estes? Pois eu estava desfilhada e solitária; entrara em cativeiro, e me retirara; quem, então, me criou estes? Eis que eu fui deixada sozinha; e estes, onde estavam? (Isaias 49:21).

A igreja é a noiva do cordeiro e Israel é o povo santo escolhido por D'us, a igreja foi gerada a partir de Israel, o texto diz que me criou estes? Eis que fui deixada sozinha, e estes onde estavam? De fato, a igreja esta muito longe de suas raízes judaicas, porém a bíblia diz que o Messias retornará a Sião para salvar "todo
Israel" quando os gentios alcançarem a plenitude da palavra de D'us.

E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos, por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados, por causa dos pais. (Romanos 11:26-28).

A nova aliança não exclui o pacto de D'us com Israel, exatamente pelo o contrário, a nova aliança é firmada em Israel para o enxerto dos gentios, um não substitui o outro, pois D'us diz através dos profetas que restauraria as tribos de Jacó através da misericórdia e do ciúme feito a Israel pelos os gentios.

Porque assim como vós (gentios), também, antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia, pela desobediência deles (judeus), Assim, também, estes, agora, foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia, pela misericórdia a vós demonstrada. Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.(Romanos 11:30-32)

Os judeus e os gentios são o povo de D'us. Os judeus são eleitos através de Abraão e os gentios enxertados em Israel através de Jesus.

Ao contrario do que muitos teólogos dizem e muitas pessoas acreditam o evangelho de Jesus é puramente judaico, para o chamado novo testamento ter validade os seus ensinamentos têm que estar firmemente embasados e em pleno acordo com a lei de Moisés e com os profetas, se não for assim os evangelhos não tem validade nenhuma.

Jesus e seus apóstolos sempre foram zelosos pela a lei de D'us, as palavras de Jesus e seus ensinamentos estavam totalmente de acordo com aquilo que foi anunciado nas escrituras. Jesus era judeu, seus discípulos eram judeus e Paulo também era judeu, não existe contradição entre o novo testamento e o velho testamento, este dualismo existe somente na cabeça dos teólogos romanos, dos judeus fundamentalistas e de alguns protestantes reformados.

Alias, para começar se quer existe novo e velho testamento, essa foi uma doutrina criada pelos os pais da igreja de Roma com a intenção de separar o cristianismo do judaísmo. O dualismo de velho e novo testamento não faz sentido, ambos são revelados e inspirados por D'us. A bíblia diz que D'us não muda, portanto toda a escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para aprender, para corrigir, para instruir em justiça
( I Tm 3:16).

Por outro lado, os judeus na tentativa de desvincular o cristianismo de suas raízes deletaram tudo que estava relacionado com a igreja na sua história, criaram um novo manual de regras religiosas e de condutas judaicas (Halachá), os seus cultos religiosos não podia ter nenhum elemento que podia associar com o cristianismo ou com Jesus.

Esse rompimento em algumas circunstâncias dura até os dias de hoje, porém tantos judeus, quantos gentios não podem negar a sua origem e a sua fé. Igreja e Israel estão entrelaçadas entre si até mesmo no que tange a escatologia profética dos tempos futuros.

Durante todos estes anos de conflitos religiosos o cristianismo assim como o judaísmo já passaram por inúmeras reformas, somente no Brasil existe pelo menos 4.500 denominações das mais diversas correntes e ramificações religiosas, o judaísmo também não fica muito para traz, também existe varias divisões e diferentes correntes de linhas de doutrinas.

O D'us dos judeus é o mesmo D'us dos cristãos, então porque a fé é tão diferente e seguimentada?

Se o D'us é o mesmo, portanto a fé de ambos deveriam ser a mesma. O D'us de Israel é o mesmo D'us dos gentios, são as religiões que abre esse grande abismo com relação à fé. Uma das grandes tarefas do Messias é a unidade da fé entre os povos e nações, todos terão uma só religião e uma só fé.

Mas quem está certo, o judaísmo ou o cristianismo?

Atualmente, nenhum e nem o outro, o judaísmo correto é o judaísmo bíblico e o cristianismo correto é o cristianismo bíblico, a religião de D'us é a obediência aos seus mandamentos. A religião pura é aquela que foi ensinada por Moisés e vivida por Jesus.

Chega de reformas!

À medida que a fé das pessoas vai reformando, mais distantes vão ficando da bíblia e do seu conceito original. A verdadeira fé não é reformada e cheia de adaptações, a verdadeira fé esta no conceito hebraico da palavra Emunah, ou seja, fé não são pensamentos positivos ou crendices, fé é fidelidade a D'us.

Tanto a igreja, quanto Israel precisa urgente é de uma restauração, e não de uma reforma. Precisamos não é caminhar para frente, mas sim voltar ao principio do primeiro e verdadeiro amor. Israel precisa fazer uma teshuvah, um caminho de volta as suas origens e a igreja restaurar as suas raízes judaicas da fé.

Israel é um relógio profético e escatológico para as nações, enquanto a igreja tem um papel fundamental de anunciar a palavra de D'us entre aqueles que ainda se encontram perdidos. A função da igreja enquanto mensageira de redenção também se direciona para Israel, pois o fato de Israel ser eleito não lhe garante a salvação de todos os seus filhos, a bíblia é clara em dizer que somente o judeu que fez teshuvah e o gentio crente que foi enxertado em Israel que será salvo. O chamado de Israel como nação eleita é irrevogável, D'us não faz acepção de judeus e gentios no que tange a salvação, porém cada um tem um papel diferente e responsabilidades distintas no Reino de D'us.

A igreja tem que reconhecer que suas raízes são judaicas e Israel aceitar a igreja como parte de si. Esse é o grande plano de D'us para o seu povo, o Messias virá para restaurar o a tribos perdidas de Israel e casar-se com sua noiva, mas para que isso seja possível é necessário que a sua noiva esteja limpa da praticas pagãs, preparada e sem mácula. Israel precisa reconhecer Yeshua HaMashiach com o seu Messias, os filhos de Sião tem que voltar para a torá e para o seio de sua fé.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá querido Giliardi:
Seu post é pertinente, porém a uma leve sombra sobre o seu olhar à Reforma. O que os reformadores na verdade fizeram foi justamente o movimento de retorno ao que se conhece por 2 Pilares da Igreja Mater: (a) Sola Scriptura, como manual de fé e prática (moral e ética); (b) e a resposta a pergunta "como pode o homem tornar-se justo?"
Outra verdade é que, assim como existem várias seitas no Judaísmo, tb no Evangelicalismo...nossa tarefa é combater ardentemente contra a militância destes que quardam a verdade em injustiça.
A reforma protestante não troxe nada novo, nenhuma novidade...senão o desejo de retorno as origens da Igreja "Primitiva".
Que o Altíssimo continue a iluminarte.
Shalon
Bruno Souzza