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terça-feira, 30 de junho de 2009

Entre Paulo e Jesus, a lei e a graça.

Por Giliardi Rodrigues


 

Dentre os mais variados temas debatidos entre os teólogos o que mais me intriga é a questão da lei e da graça. Já ouvi muitas explicações e pregações a respeito deste tema, porém nunca fiquei convencido entre o que os teólogos e os pastores pregam e o que a bíblia diz.

Dentro do cristianismo se prega que estamos no tempo da graça e que a lei de D'us foi abolida, em raríssimas exceções vemos alguém contrário a essa opinião.

Jesus disse que não veio para abolir a lei e nem os profetas, sabemos que seus discípulos eram judeus e em tudo procuravam seguir as ordens de seu mestre, em obedecer à lei e guardar tradição da religião judaica.

Os grandes debates surgiram nas cartas de Paulo, muitas igrejas colocam Paulo acima de Cristo, para alguns cristãos, o que Paulo diz é mais importante do que Jesus ensinou. O paulinismo é uma doutrina romana cheia de dualismos, uma hora é uma coisa e outra hora é outra coisa.

Mas afinal de contas, quem é mais importante? Jesus ou Paulo?

Tenho certeza que a resposta imediata seria Jesus, mas então porque muitas vezes as cartas de Paulo são mais importantes do que o evangelho?

Ora, esse dualismo com certeza não é bíblico, pois Paulo jamais foi contra aquilo que Jesus ensinou. Um discípulo ou um apostolo nunca pode ir contra o seu mestre, os discípulos de Jesus são é um grande exemplo, pois nunca pregaram e nem ensinaram contrario aquilo que aprenderam com Jesus.

Então quem está errado nesta historia?

O problema está na interpretação e no contexto pelo qual as pessoas entendem Jesus e querem compreender as cartas Paulinas. Tanto Jesus e quanto Paulo jamais fundaram uma nova religião, ambos eram judeus e zelosos pela a lei.

Eu vejo que o grande problema do cristão com a lei em modo geral é na questão do sábado e da carne de porco, porém esquecem que estes são apenas dois mandamentos dos 613 encontrados na bíblia.

Muitas igrejas ensinam que a lei foi abolida e que estamos no tempo da graça, mas ainda sim cobram o dizimo de seus membros. Acho estranho dizer que a lei foi abolida e continuar incentivando a pessoas a darem o dizimo, pois o dizimo é um preceito da lei.

Certa vez perguntei para um pastor o porquê o crente tem que dar o dízimo, sendo que este é um preceito da lei? Ele me respondeu que o dizimo é antes da lei, pois Abraão pagou o dizimo a Melquisedeque, eu de imediato o questionei sobre este argumento, pois o sábado também é antes da lei, e porque ele ensinava as pessoas a dar o dizimo e não incentivam as pessoas a guarda o sábado? O pastor não teve respostas.

As explicações são tendenciosas e convenientes, cada um usa a bíblia para o seu próprio beneficio. Porque as pessoas que defendem o dizimo, com o mesmo argumento não defendem a questão da guarda do sábado? No novo testamento podemos encontrar mais passagens a respeito da guarda do sábado do que dar dízimo.

Muitas pessoas dizem que o que contamina o homem é o sai da boca e não o que entra, usam deste argumento para dizer que podemos comer carne de porco, na minha opinião o que contamina o homem é a hipocrisia religiosa, pois os mesmos que dizem que D'us purificou aquilo que era imundo e que agora podemos comer qualquer coisa, não fazem um prato de urubu ao molho pardo? Ou um ensopado de carne de ratos? Ou um estrogonofe de baratas?

Viver de qualquer jeito não é viver na graça, me desculpe à expressão, mas viver da forma que estes vivem é viver na desgraça. A lei não foi feita para o justo, pois este já anda em obediência, a lei foi feita para condenar o injusto, pois este não sabe o quão bom é caminhar e trilhar os caminhos da justiça de D'us.

No pensamento bíblico lei e graça é quase a mesma coisa, assim como amor e justiça. D'us justifica o homem por amor, somente o amor é o motivo pela qual D'us deu a graça e quer que o homem caminhe em obediência através da lei.

Ninguém é obrigado a guardar a lei, quem guarda a lei deve fazer isso por amor e não por obrigação. Tudo o que fazemos temos que fazer em louvor a D'us, quer comamos, quer bebamos ou fazemos qualquer outra coisa, fazemos para a gloria de D'us.

Se a graça tivesse anulado a lei, então quem vive pela graça pode matar, mentir, adulterar, prostituir, invejar, ter ídolos, desonrar pai e mãe, roubar etc.

É muito contraditório o crente pensar que a lei foi abolida e não fazer essas coisas. Viver pela graça é acima de tudo viver em obediência a palavra de D'us.

Outro argumento apresentado por alguns cristão é que Jesus resumiu a lei em amar a D'us acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo, estes pobres ignorantes não sabem que este é um mandamento antigo e que Jesus não disse nenhuma novidade em pronunciar estas palavras, ele apenas confirmou aquilo que já estava escrito na torá.

Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder. (Devarim/deuteronômio 6:5)...
Mas amarás o teu próximo, como a ti mesmo. (Vaycrá/Levitico 19:18).

O fato de Jesus resumir a lei nestes dois pontos não anula a lei, ele apenas resumiu. Quando fazemos um resumo de um livro, o nosso resumo é mais importante do que o próprio livro? Jesus sintetizou a lei nestes dois pontos, a essência da lei é o amor, não adianta nada a pessoa guarda a lei e não amar o próximo, pois quem pode dizer que ama a D'us a quem não vê e não ama o seu próximo a quem vê? Este é mentiroso!


 

Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados. (João 5:2-3).

Uma prova cabal de que amamos a D'us é quando guardamos os seus mandamentos, e os mandamentos de D'us não são pesados, porque a essência da lei é o amor. O contrario também é uma verdade, que não ama a D'us não guarda seus mandamentos. Mais quais mandamentos que os apostolo João estava se referindo? Claro e evidente que são os mandamentos do chamado e conhecido velho testamento, pois o novo testamento ainda não havia sido escrito.

Toda a Escritura, divinamente inspirada, é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça. (I Timóteo 3:16).

Os apóstolos não eram contra a lei de Moisés, tão pouco faziam dualismos entre velho e novo testamento. O apostolo Paulo quando escreve a Timóteo diz que toda a escritura é inspirada por D'us e proveitosa para ensinar, corrigir e instruir o homem no caminho da lei da justiça.

Agora vem a velha pergunta, se a lei não foi abolida um gentio deve viver como um judeu?

A resposta é não! Um gentio não tem a obrigação de viver como um judeu, pois existem mandamentos próprios para judeu diferentes de mandamentos para gentio, assim como existem mandamentos para mulheres e crianças que não servem para ser aplicados aos homens.

Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; e estará o meu concerto na vossa carne por concerto perpétuo. (Bereshit/Gênesis 17:13)

A circuncisão é um mandamento perpetuo e exclusivo para judeus, este é uma marca entre D'us e os filhos de Abraão segundo a carne. Todo homem judeu tem que ser circuncidado no oitavo dia depois de seu nascimento. Lembrando que perpetuo que dizer para sempre.

Pelo que julgo que não se deve perturbar aqueles, de entre os gentios, que se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. (Atos 15:19 -20).

As leis básicas para um gentio convertido são relatadas pelo o apostolo Tiago no concilio de Jerusalém. Portanto o gentio não tem obrigação de guardar a lei que é imposta para o judeu, também esse não é um argumento para dizer que a lei foi abolida. O gentio crente ao D'us de Israel desfruta da mesma seiva que os filhos de Abraão, ou seja, das mesmas bênçãos.

Pode um gentio guardar a leis judaicas?

Sim, principalmente porque atrás de cada mandamento existe uma promessa e uma bênção, quando um gentio obedece a torá e observa à lei ele se torna um com a casa de Israel.

DIGO, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. (Romanos 11:1)

A teologia da substituição é uma balela, a igreja gentílica não substitui Israel, pois o povo de D'us nunca deixou de ser um povo eleito. A igreja foi enxertada na oliveira de Israel por isso compartilha das mesmas promessas.

Porque, verdadeiramente, contra o teu santo Filho, Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel. (atos 4:27)

Gentios e judeus conspiraram contra Jesus, ele foi entregue pelo os judeus e executado pelos os gentios. Os judeus são acusados pelos os gentios de matar Jesus, isso não é verdade!

Eu fugi um pouco do contexto, mas creio que foi bom mencionar estes versículos que hora são dirigidos de forma errada pelas as mesmas pessoas que são contra a lei de D'us.

Voltando ao assunto...

E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. (Romanos 7:12)

O apostolo Paulo nunca, jamais e em tempo algum foi contra a lei de D'us dada por Moisés no monte Sinai.

Muitas pessoas pegam versículos isolados e até mesmo textos inteiros sem contexto sobre Paulo debatendo sobre a lei e justificam suas doutrinas em cima do que o apostolo nunca falou.

Jesus, os discípulos e Paulo eram todos judeus e zelosos pela a lei de D'us revelada aos homens através de Moisés.

Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usar legitimamente; Sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, Para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina. (1 Timóteo 1:8-10).

Amados, o dizimo é bênção, guardar o sábado é bênção, honrar pai e mãe é bênção, dizer e viver pela a verdade e bênção, servi a um e único D'us é bênção, seguir as leis alimentares de levitico 11 é bênção, amar o próximo é bênção – a lei de D'us é bênção para todos aqueles que guardam com amor!

JESUS UM JUDEU PRATICANTE

Por Giliardi Rodrigues





  • · Jesus tem por nome hebraico de Yeshua (ישוע) - Mt 1:21
  • · Judeu descendente de Abraão – Mt 1:1/ Lc 3:34
  • · Nasceu em Israel na cidade de Belém – Mt 2:1
  • · Filho de Yosef e de Miriam – Mt 13:55 / Mc 6:3
  • · Da tribo de Judá e da linhagem de Davi – Hb 7:14 / Rm 1:3 / Mt 1:6 / Mt 9:27/ Mt 12:23 / At 13:22
  • · Foi circuncidado no oitavo dia – Lc 2:21
  • · Depois da purificação foi consagrado ao Senhor – Lc 2:23
  • · Cresceu e foi educado nas escrituras – Lc 2:52
  • · Fez o Bar Mitzvá – Lc 2:42
  • · Morou em Nazaré – Mt 2:23
  • · Freqüentava o templo – Jo 7:14 / Jo 11:56
  • · Ensinava nas sinagogas aos sábados – Mt 4:23 / Mt 9:35 / Lc 4:16
  • · Usava talit – Mt 9:21 / Mc 6:56 / Mc 5:27
  • · Era rabino (mestre) – Jo 3:2 / Mt 23:7 / Jo 1:49
  • · Guardava o sábado – Mc 1:21 / Mc 6:22 / Lc 4:31 / Lc 6:6 / Lc 4:16
  • · Fazia discípulos – Mt 10:1 / Mt 9:19 / Mc 3:7
  • · Era profeta - Mt 24:2 / Mt 11:57 / Mt 21:11
  • · Foi anunciado por Moisés – Dt 18:15 / At 3:22
  • · Era um judeu praticante na torá e zeloso pela a lei de D'us Mt 5:17/ Jo 14:21 / Mt 19:17
  • · Sempre orava ao Pai – Mc 1:35 / Lc 5:16 / Lc 22:41
  • · Recitava o Shemá – Mc 12:29-30
  • · Seguia as leis alimentares de Levitico 11 – Lc 11:37
  • · Celebrava as festas bíblicas – Lc 2:41 / Lc 22:8 / Jo 7:10 / Lc 22:7